Se você pensa que é igual ao ChatGPT, não está errado, mas é muito mais que isso
Desmistificando a IA, antes de falar da IA generativa
Inteligência artificial não é coisa nova. Na verdade, há mais de duas décadas vivemos uma revolução de automação e inteligência digital, que é quase invisível, mas tem uma grande interferência em nossas vidas.
Essa revolução está por toda a parte: no entretenimento (todos os apps sabem do que gostamos); na IoT e na popularização de casas inteligentes; na saúde (cirurgias sofisticadas executadas por robôs); na manutenção (robôs que atuam em áreas perigosas ou insalubres); na indústria (linhas de montagem automatizadas); no transporte aéreo (desde o check-in por apps até o piloto automático do avião); na área militar (drones) etc.
Assim, a IA generativa é apenas mais um ramo da IA.
A IA generativa e o ChatGPT
Antes de mais nada, o Chat GPT é um chatbot. E os chatbots – aplicativos que conversam em linguagem natural com o usuário – não são novidade. Estão nos sites de companhias aéreas, bancos, empresas de telefonia e numa grande variedade de empresas de prestação de serviços. Eles surgiram, há muitos anos, com o intuito de automatizar e melhorar a eficácia dos SACs (serviços de atendimento ao cliente).
O ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, é um passo adiante no papel desempenhado pelos chatbots, por não se dedicar a uma lista restrita e predefinida de assuntos; em vez disso, o programa é aberto para queries sobre quaisquer temas de seu interesse. Ao utilizar inteligência artificial, o ChatGPT simula uma rede neural, baseada no cérebro humano e, dessa forma, é programado para aprender enquanto interage com o usuário. Quanto mais você o utiliza, mais ele aprende.
Porém, sua imensa base de dados, construída com todos os dados públicos disponíveis na internet, só vai (por enquanto) até 2021. Com o ChatGPT, é possível produzir textos de e-mails, roteiros de filmes, histórias, artigos, roteiros de viagens, letras de música e até aprender a programar.
E o ChatGPT é apenas um pedacinho da IA generativa
A IA generativa não é uma novidade, mas passou a ser mais conhecida desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022. Desde então, o mundo virou de ponta-cabeça. Aqui vão algumas cifras, só para ilustrar:
IA generativa
A IA generativa gera conteúdos inéditos: textos, imagens, vídeos, músicas e linhas de programação básica. Ela aprende por meio de conteúdos preexistentes na internet para gerar novas peças, sem repetição. A OpenAI, além do ChatGPT, oferece ao público geradores de imagens, como o Dall-E 2 e o Dream Studio.
A tendência é de que a IA generativa seja cada vez mais usada no âmbito do design e criação, em suas mais diversas áreas de utilização (agências de marketing digital, designers e o mundo das artes em geral).
A base tecnológica da IA generativa
O ChatGPT não está sozinho. O Google acaba de lançar o seu próprio chatbot inteligente, o Bard. Da mesma forma, o Dall-E 2 também tem seus concorrentes na produção de imagens, como o Midjourney.
Por trás desses apps de IA generativa, vamos encontrar poderosos algoritmos, baseados em redes neurais e machine learning. O algoritmo da OpenAI é o GPT-3.5 e, mais recentemente, o GPT-4. O algoritmo do Google é o LamDA (um modelo de linguagem para aplicativos de diálogo), que foi criado em 2017 e é um transformer (arquitetura de rede neural projetada para processar sequências de dados, como texto ou áudio).
Fato curioso: em junho de 2022, Blake Lemoine, ex-engenheiro de software da Google, foi demitido por afirmar que o LaMDA teria alma e consciência!
Até onde pode ir a IA generativa?
As preocupações imediatas, claro, estão relacionadas à perda de empregos. Nada muito diferente da Revolução Industrial, no início do século 20, ou da automação das linhas de produção no final do mesmo século. A Sequoia Capital, uma das maiores investidoras do mundo em empresas de tecnologia, prevê que, até 2030, a IA generativa será capaz de produzir textos, imagens e vídeos, além de projetar e codificar melhor que os profissionais humanos das mesmas áreas.
Mas podemos afirmar, genericamente e com algum nível de risco, que a IA generativa não vai tirar o emprego dos profissionais mais criativos. Isso porque pode turbinar o potencial de produzir coisas inéditas e relevantes em menos tempo, com menor orçamento e mais criatividade. Mas isso, desde que eles se tornem bons operadores de IA generativa.
E, para fechar…
No dia 30/3/23 o Estadão publicou um reprint de um artigo em que Elon Musk e alguns expoentes do mercado de tecnologia propõem “dar uma pausa no desenvolvimento da IA, para pensar em controles”. Paradoxalmente, Musk é o fundador da Neuralink, que apresentou em 2019 um implante cerebral capaz de ler pensamentos, o que permitiria aos usuários controlar seus computadores e celulares com a mente.
Os limites éticos do uso das tecnologias de IA generativa são muito tênues, com enormes riscos de produção de conteúdos fake e deepfake. Já podemos antever casos de softwares substituindo seres humanos em provas e concursos, risco de desemprego em massa e até o uso da tecnologia em guerras entre países. Isso foi tema de discussão em dezenas de painéis no recente SXSW. O que fazer a respeito? No mínimo, precisaremos discutir e implementar regras de uso nas empresas e algumas normas governamentais, que certamente virão.
Fontes: Nexo Jornal, Sequoia Capital, LaMDA.